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ESTUDO NA ESCOLA

Autor: Alessandro Miranda


A autotutela foi proibida pelo Estado, como tinha de ser. A pacificação social ficou por conta do poder estatal. Nada mais justo, já que assim todos terão direito a lutar igualmente pelos seus direitos. O poder, aquele que corrompe, foi dividido. As leis feitas pelo poder legislativo são amplamente discutidas pelos representantes do povo, antes de serem sancionadas e publicadas pelo representante máximo do executivo, escolhido pelo instrumento do voto.

            Pronto, estamos salvos! O poder não mais ficará na mão de poucos como os Imperadores, Reis, Igrejas, Senhores Feudais, Burguesia, etc. Seria realmente maravilhoso se tudo isso fosse real. Mas os poderosos ainda não delegaram o meio para que a tutela estatal fosse realmente pública.

            A população não pode recorrer a seus direitos se não os conhece, ou não sabe como fazer com que eles saiam do mundo das idéias. O único meio para a libertação é a educação. Agora muitos vão dizer que o Estado faz o que pode para que suas crianças estudem, freqüentem a escola. Entretanto, essas poucas não têm uma educação de qualidade. Porem não é só dessas que falo, me refiro também as privilegiadas, aquelas que estudam em um grande colégio particular, que saem preparadas para a cruel sociedade, que fazem equações complexas, que conhece o relevo de todo o mundo, que entendem todo o mistério dos gens. Só que quando abrem o jornal não entendem de forma satisfatória metade das noticias.

            O universo é regido por leis naturais, como sempre foi. E a sociedade, também por leis positivas. A escola deve preparar o jovem não só para entender o universo, mas para viver de forma digna na sociedade. Essa é regida por leis, normas. Nada mais natural que a escola dê ao menos uma noção da legislação.

            O mundo jurídico nos cerca 24 horas. Desde os contratos, na utilização da energia, da água, do transporte, alimentação, até quando dormimos na segurança, na inviolabilidade do lar, nos direitos individuais. Todas essas relações são protegidas pela positivação das regras que a própria sociedade se incumbe de evoluir.

            Todo estudante com certeza já fez se perguntou por que estudar determinada matéria. E se expressou essa duvida de forma insistente possivelmente recebeu a respostas do gênero: para passar no vestibular; para passar de ano; por que sim!

            Essas perguntas são feitas, dado o distanciamento da vida real a matéria estudada. Não defendo que essas sejam extintas, mas sim alteradas para que a matéria Direito seja introduzida. A energia elétrica utilizada, portanto a consagração do contrato é muito mais próxima do que a transformação de outros tipos de energia na elétrica.

            Se o Estado não aceita a alegação do desconhecimento da lei, pois subentende que essa seja de conhecimento de todos, então deve fazer com que o mundo jurídico seja realmente conhecido. Não de forma minuciosa, como estudada pelos bacharéis, mas de forma satisfatória ao menos para que o povo, como fator real do poder, possa exercer dignamente seus direitos e respeitar seus deveres.

            Com essa entidade, sociedade, se organizando através do conhecimento a fiscalização do andamento da máquina estatal seria feita pela pluralidade de cidadãos. Dificultando os males que nos atravanca o crescimento. Os direitos meta individuais seriam amplamente difundidos, já que a população saberia que é direito de todos. Alem dos direitos individuais serem pleiteados de forma coerente e corretos. O conhecimento jurídico sendo ensinado a todos os estudantes tornaria as normas mais eficazes, não como tenta hoje o legislador aumentando as sanções, mas por serem cumpridas.

            Nenhum conhecimento deve ser ignorado. Ainda mais um que, por seu desconhecimento, torna-se um meio de controle de uns poucos que ainda insistem em um sistema egoísta e maquiavélico.

 

Autor: Alessandro Miranda, estudante do terceiro ano de Direito do Centro Universitário de Maringá, CESUMAR. Tel.:  e-mail: rodrigo_miranda84@hotmail.com

 

 

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