A
globalização representa um conjunto de transformações na ordem política
e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. Conforme
o entendimento de Francisco da Silva CAVALCANTE FILHO e Jorge Yoshio
MISUMI:
“O processo de globalização pode ser interpretado como a abertura
das fronteiras nacionais para a expansão do comércio mundial”.
O
ponto central da globalização é a integração dos mercados, o que
somente é possível através da abertura econômica de cada país.
Neste sentido elucida Maria Anita dos ANJOS e Moisés FARAH Jr.:
A
abertura econômica é entendida aqui como a redução dos impostos
incidentes sobre os bens importados, bem como a eliminação dos obstáculos,
existentes nos regulamentos, leis, controles, normas, que impediam a
livre movimentação das mercadorias e capitais estrangeiros. Esse
processo ocorreu no Brasil ao longo da década de 1990 e representou o
alinhamento do país à onda de expansão do comércio e de capitais
liderados pelas empresas dos países desenvolvidos. O movimento de
expansão, chamado de globalização foi possível com as transformações
tecnológicas.
Inserido
nessa nova conjuntura, nessa nova ordem econômica, o Brasil, a exemplo
de outros países, fez a abertura econômica para o exterior, tem
aplicado a política de privatizações e empenha-se em desregulamentar
sua economia, oferecendo vantagens às multinacionais que aqui se
instalem.
Com
a globalização e o fim das barreiras comerciais entre os países,
cresce a concorrência entre os produtos nacionais e estrangeiros. A
competitividade entre as indústrias aumentam e esta situação causa
conseqüências no mercado, tais como: maior oferta de produtos, preços
mais competitivos e qualidade variada.
Sendo
assim, a concorrência entre as empresas gera a busca pela preferência
do consumidor no mercado, para isso tendem as empresas a cada vez mais
procurar melhorar a qualidade dos produtos e ao mesmo tempo oferecer preços
mais baixos. Ocorre que, ao tentarem alcançar uma posição competitiva
no mercado as empresas aperfeiçoam suas técnicas, melhoram seus
produtos e modernizam suas estruturas, o que proporciona a estas, em
contrapartida, crescimento e favorece ainda o desenvolvimento econômico
do país.
Portanto,
verifica-se que atualmente, a busca da competitividade pelas empresas é
imprescindível para a sobrevivência destas no mercado globalizado.
Conforme enfatiza, em sua obra, Valdir de Jesus LAMEIRA:
“As empresas nacionais, em vista do processo de globalização e em
razão da necessidade imperiosa de crescente competitividade, necessitam
crescer para competir. Se não conseguirem, perderão mercado para as
grandes multinacionais, ou mesmo poderão vir a ser adquiridas por
estas.”
Contudo,
nem todas as empresas possuem capital suficiente para manter-se e
destacar-se nesse mercado competitivo. Algumas empresas necessitam
captar recursos afim de financiar seus projetos de expansão comercial.
Neste sentido elucida mais uma vez Francisco da Silva CAVALCANTE FILHO e
Jorge Yoshio MISUMI:
“A necessidade de investimentos para aumentar a competitividade das
empresas pode superar a capacidade de geração interna de recursos,
obrigando a captação de recursos junto a acionistas e/ou terceiros. O
caminho natural é a abertura de capital da empresa, habilitando-a a
levantar funding
no mercado de capitais.”
Assim,
a empresa que busca angariar recursos que proporcionem seu
desenvolvimento poderá abrir seu capital e comercializar suas ações
no mercado de capitais. Com isso, atrairá investidores que se
interessem em adquirir ações da companhia e se tornar,
concomitantemente, acionistas desta. No entanto, ao negociar suas ações
no mercado de capitais a empresa sujeita-se a ter como sócio qualquer
pessoa que adquira seus títulos. E, levando-se em consideração o
acelerado processo de globalização, nota-se a possibilidade que tais
investidores sejam além dos nacionais também os estrangeiros.
Mas
o que interessa aos investidores no momento de escolherem em qual
companhia aplicarão seus capitais?
Existem
vários fatorem a serem considerados pelos investidores neste momento. São
analisados principalmente os fatores risco, rentabilidade e preço.
Todavia, tendo em vista a evolução e desenvolvimento que o mercado de
capitais tem alcançado, outros fatores tem sido exigidos e procurados
pelos investidores, dentre estes destaca-se a política de disclousure.
Disclousure
é o termo utilizado em inglês para política de divulgação de
informações ao público investidor de uma companhia. Portanto,
significa dizer que uma empresa que adota a política de disclousure é
uma empresa que possui transparência, na qual existe respeito ao
investidor que aplicou capital na companhia e que, por isso, merece ser
informado sobre fatos relevantes que podem alterar seu julgamento sobre
o investimento.
Porém
nem sempre estes fatores bastam aos investidores, na realidade o que
estes buscam são ações de companhias que congreguem todos os fatores
ideais. Para isso, além do preço, da cotação e da perspectiva da
rentabilidade da ação os investidores procuram se pautar na política
interna da empresa emissora de tais ações.
Ocorre
que, o mercado de capitais é muito flexível, os valores e cotações
das ações variam freneticamente de acordo com as mudanças e
acontecimentos políticos, econômicos e sociais que ocorrem diariamente
no cenário mundial. Então, em contrapartida, os investidores procuram
por empresas que se mostrem estáveis e seguras. Tais empresas devem
transmitir confiabilidade ao investidor, aplicando para isso uma política
baseada em três pilares fundamentais: transparência, prestação de
contas e eqüidade entre os acionistas. Quando presentes, dentro de uma
mesma companhia, estas boas práticas de administração, diz-se que
existe nesta uma política de Governança Corporativa.
As
práticas de Governança Corporativa aplicadas à estrutura das empresas
transmitem aos investidores a segurança necessária para estes
realizarem suas aplicações e investirem na companhia. Neste sentido,
observe-se o comentário de Nadine S. M. Baleeiro TEIXEIRA e Thiago
Giantomassi MEDEIROS:
“A adoção desses princípios de governança corporativa,
adaptados à realidade específica de cada empresa, representa, sem dúvida
nenhuma, um importante elemento diferenciador no momento de o investidor
tomar sua decisão. Resta ter-se, portanto, uma visão profissional da
empresa, como unidade voltada à continuidade e ao crescimento.”
Referências
Bibliográficas
·
CAVALCANTE
FILHO, Francisco Silva e MISUMI, Jorge Yoshio. Mercado
de capitais. 4ª ed. Belo Horizonte: CNBV, 1998. Pág. 315.
·
ANJOS,
Maria Anita dos e FARAH JR., Moisés. Coleção Gestão Empresarial 1:
Economia brasileira. Gazeta do
Povo. Curitiba, Novembro de 2002. Pág. 43.
·
LAMEIRA,
Valdir de Jesus. Governança corporativa. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
2001. Pág. 20.
·
TEIXEIRA,
Nadine S. M. Baleeiro e MEDEIROS, Thiago Giantomassi. Empresa e governança
corporativa. Gazeta Mercantil. Curitiba 07 de fevereiro de 2003.
CAVALCANTE FILHO, Francisco Silva e MISUMI, Jorge Yoshio. Mercado
de capitais. 4ª ed. Belo Horizonte: CNBV, 1998. Pág. 315.
ANJOS, Maria Anita dos e FARAH JR., Moisés. Coleção Gestão
Empresarial 1: Economia brasileira.
Gazeta do Povo. Curitiba, Novembro de 2002. Pág. 43.
LAMEIRA, Valdir de Jesus. Governança
corporativa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001. Pág.
20.
CAVALCANTE FILHO, Francisco Silva e MISUMI, Jorge Yoshio. Mercado
de capitais. 4ª ed. Belo Horizonte: CNBV, 1998. Pág. 317.
Expressão em inglês,
muito utilizada no mercado de capitais, que significa fundos,
recursos.
TEIXEIRA, Nadine S. M. Baleeiro e MEDEIROS, Thiago
Giantomassi. Empresa e governança corporativa.
Gazeta Mercantil. Curitiba 07 de fevereiro de 2003.
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