O
crime é uma espécie de fato
social
e este (o fato social), foi criado e desenvolvido,
brilhantemente, pelo filósofo Émile Durkheim. Este sempre afirmou que
o fato social é um ente pertencente às sociedades e que, a partir do
estudo de cada fato social, individualmente, é que poderíamos
estabelecer algumas idéias e conceitos sobre determinada sociedade.
Sendo
assim, é de extrema importância o conhecimento de algumas características
próprias dos fatos, que os tornam, sociais. A primeira é a força que
os fatos exercem sobre os indivíduos, tornando-os compreensivos e
conformados às regras, tradições e costumes que a sociedade a que
pertence estabelece, sem se preocupar com suas vontades e escolhas,
cabendo ao indivíduo apenas aceitá-las racionalmente. Além disso, é
social todo fato que é geral, coletivo, comum a uma mesma sociedade. As
regras de convívio social, as tradições, os costumes, são condições
implícitas dentro da sociedade, haja vista que surgem bem antes do
nascimento das pessoas.
A
partir deste ponto, podemos afirmar que o desvio é algo essencialmente
normal e necessário em todas as sociedades. Entretanto, não é válida
a incidência de criminalidade que vai além dos limites suportáveis
pela sociedade, o que acaba por prejudicar toda a estrutura social e o
próprio desenvolvimento desta. Para Howard S. Becker, o desvio não
é uma qualidade do ato que a pessoa comete, mas uma conseqüência da
aplicação por outras pessoas de regras e sansões a um transgressor. O
que se quer dizer neste momento, é que o que é patológico para uma
sociedade pode não ser para outra e, também, o que era patológico no
passado, pode se tornar normal em uma mesma sociedade no presente. O
inverso também pode ser verdadeiro.
Esta
patologia pode ser constatada na cidade de Uberlândia, cujos índices
de criminalidade têm se mostrado cada vez mais assustadores. Não
adianta delegados, policiais, pesquisadores ou quem quer que seja, vir
falar ou levantar dados provando a diminuição da incidência de
crimes. O que vale, realmente, é a total insegurança que as pessoas
sentem ao viver dentro da sociedade uberlandense.
Por
fim, é necessário dizer que grande parte dessa criminalidade
desenfreada é originária da inexistência de uma real, significativa e
correta coerção social, visto que nossos sistemas penal e penitenciário
se apresentam de forma extremamente ineficaz. Para ilustrar esta idéia,
sem querer fazer apologia a nenhuma religião, gostaria de utilizar um
trecho de Chico Xavier: “alma corajosa não é aquela que se dispõe a
revidar o golpe recebido e sim aquela que sabe desculpar e esquecer.
Muitas vezes o agressor é apenas um doente, mais necessitado de
medicina do que punições”. Acho que a partir deste princípio
devemos trabalhar as novas formas de punições, buscando entender cada
delinqüente de forma individual, para que assim, possamos compreender
os fatos ocultos de sua ação e preparar uma melhor e, se possível,
perfeita reabilitação, como se fosse a relação de um médico com o
paciente, guardadas as devidas proporções. |