História de um Colega

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O  "SANTO ACORDO".

(Publicado no "Jornal do Advogado"p.17 em out/90)

Contou-me, certa vez, papai (que em 1979 foi convocado a brilhar, como sempre, no "Tribunal do Oriente Eterno" ) que - no começo de sua carreira profissional , isso nos idos dos anos 40 -, defendeu com seu colega de escritório (o saudoso Dr.Walter Loschiavo, recentemente igualmente conclamado, com o mesmo lustro, a lhe fazer par ), um intransigente cliente que, em demanda  de terras, tinha como ex-adverso  um parente seu e, talvez  por conta disso, acabara levando o problema para o campo pessoal. Sob esse enfoque, não admitia, sequer, ouvir falar em acordo, por mais que os advogados, mesmo o juiz da causa, tentassem. Confirmada a sentença de primeiro grau, acompanhava, diariamente, o cliente, o Diário Oficial , tamanho era o seu interesse em executá-la. Certo dia, ao chegar ao escritório, vê, papai, na sala de espera, visivelmente desnorteado, queixando-se de traição de seus constituídos, o cliente, porquanto, segundo ele, "teria sido firmado acordo com  a parte contrária sem seu consentimento". Perplexo, vai ao encontro de seu colega de escritório que, na sala ao lado, quase sem fôlego, dobrava de rir... Foi quando teve explicação do grande enigma forense; o famigerado "santo acordo" a que se referia o cliente, aquele que lera no Diário da Justiça, tratava-se, na verdade, do cumpra-se o venerando Acórdão. A gargalhada foi geral...

FERNANDO HOMEM DE MELLO LACERDA FILHO, advogado

Nota: O escritório em questão, existente há mais de 50 anos ( hoje transferido, há cerca de 4 anos, para a rua Álvaro de Menezes, 102, Jdim.Paulista, nesta Capital de São Paulo ), era originalmente localizado no Lgo.7 de Setembro, 34, 3.o andar.

 

 

       
 


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